Soube que podia ter saldo no Fundo 157
Graças a uma dica internética de um amigo, soube que podia ter saldo no Fundo 157 - coisa que só os bem provectos, os provectíssimos sabem o que é - e fiquei imaginando a grana, após duas ou três décadas de investimento intocado!
Depois de algum tempo de pesquisa e consultas, descobri um telefone... ainda bem que era um 0800!, e liguei.
Após fazer canina e sucessivamente todas as opções - teclando números - que aquela clássica gravação determinou que eu fizesse e de aguardar algum tempo a ouvir imbecilmente aquelas tradicionais musiquinhas, fui atendido por uma gentil atendente com a frase costumeira e expliquei-lhe o que queria.
Ela se valeu de uma gerundialíssima fala e, em seguida, gerundiando ainda, fez-me algumas perguntas bem simples: nome completo; peso; altura; tipo sanguíneo; vacinas – questionou a validade de cada uma; manequim e tamanho do pé; requisitou algumas datas, e por extenso - ou seja, não valia 2 do 3, tinha de ser 2 de março-, a saber: nascimento, batismo, crisma, primeira comunhão, casamento; solicitou-me a filiação detalhada (pedi-lhe desculpas por não ter o mais significante detalhe da filiação, já que, por ter sido concebido depois!, não presenciara o momento mais importante!); inquiriu nomes de irmãos, tios e avós; pediu-me o endereço com CEP; requisitou os números dos meus telefones, e todos, e com código de área e nomes das operadoras; pediu números e datas de expedição de documentos: identidade – com órgão expedidor -, CPF, título de eleitor - com zona e seção -, certificado de reservista – com Região Militar -, passaporte, carteira nacional de habilitação – com o tipo, data de expedição e prazo de validade -, Carteira de Trabalho e Previdência Social – com a série -, e quis saber o número da minha inscrição no PIS/PASEP e se já havia feito alguma retirada e, se positiva a resposta, com data e valor; fez perguntas sobre o meu grau de instrução, pedindo nome de escolas e os números e datas dos respectivos certificados de conclusão dos cursos e dos diplomas; mandou que eu listasse meus cartões de crédito com os respectivos limites e datas de pagamento e que lhe desse os números de minhas contas bancárias com bancos e agências; fez perguntas sobre minha vida sexual, indagando expressamente quantas vezes por semana eu fazia sexo e quantos orgasmos tinha a cada vez (ri tanto que nem consegui responder!), e ainda procurou saber sobre minhas taras (ela gostou de algumas e reprovou a grande maioria!); indagou sobre meus hobbies (na falta de uma boa resposta, uma que impressionasse e fosse politicamente correta, usei meu constitucional direito de ficar calado!); disse-me para mencionar minhas manias (logo no comecinho da narração, pediu-me que parasse!); e quis informação sobre os meus vícios, e, aqui, foi específica pois indagou se eu fumava (quantos cigarros por dia), se eu bebia (socialmente ou não, e nunca entendi o que isso significa!); etc. etc. etc.
Aí, disse-me que esperasse um pouco e fiquei ouvindo as aludidas musiquinhas.
Retornou dizendo o que todos os atendentes dizem e reperguntou tudo, mas, inverteu a ordem das perguntas para ver se eu me confudia, e quase me confundi, mas aleguei esclerose múltipla e abrangente e pedi ajuda aos universitários! e quase que eles me f...
Pediu-me que esperasse novamente.... e a musiquinha...
Voltou e declarou: “O senhor (por que será que, nem pelo telefone, nenhuma atendente mais me chama de você?!) tem 90...”
Nesse instante, aos berros, implorei que parasse!, pois tinha ficado tenso e precisava tomar minha pílula!
Ela – pela voz era bem novinha – mostrou todo o seu espanto: “Vai tomar o quê?!”; e expliquei-lhe que a pílula era avó do comprimido e bisavó da drágea; e ela respirou aliviada, e complementou: “Não precisa tomar a bisavó da drágea não porque são R$ 90 e alguns centavos”; e completou dizendo que, para receber a mencionada quantia, eu precisava fazer o seguinte: enviar cópia autenticada de todas as minhas carteiras, títulos, certificados e certidões, inclusive as de vacinas; apresentar atestado de sanidade física e mental firmado por 4 (quatro) médicos; enviar atestado de boa conduta assinado por 4 (quatro) autoridades nacionalmente reconhecidas; remeter resultado de teste psicotécnico recente e feito em instituição oficial; anexar duas fotos 9x12 com fundo branco e recentes; e, com firma reconhecida e duas testemunhas, mandar um requerimento em que devia declarar e pedir o seguinte: “...”.
Após um monumental silêncio, um segundo talvez, respondi: “Tá vendo?! Devia ter tomado a porra da pílula, não pela razão inicial, é claro, mas pela puta “emoção” que me invade agora!”
E desliguei.
Depois de algum tempo de pesquisa e consultas, descobri um telefone... ainda bem que era um 0800!, e liguei.
Após fazer canina e sucessivamente todas as opções - teclando números - que aquela clássica gravação determinou que eu fizesse e de aguardar algum tempo a ouvir imbecilmente aquelas tradicionais musiquinhas, fui atendido por uma gentil atendente com a frase costumeira e expliquei-lhe o que queria.
Ela se valeu de uma gerundialíssima fala e, em seguida, gerundiando ainda, fez-me algumas perguntas bem simples: nome completo; peso; altura; tipo sanguíneo; vacinas – questionou a validade de cada uma; manequim e tamanho do pé; requisitou algumas datas, e por extenso - ou seja, não valia 2 do 3, tinha de ser 2 de março-, a saber: nascimento, batismo, crisma, primeira comunhão, casamento; solicitou-me a filiação detalhada (pedi-lhe desculpas por não ter o mais significante detalhe da filiação, já que, por ter sido concebido depois!, não presenciara o momento mais importante!); inquiriu nomes de irmãos, tios e avós; pediu-me o endereço com CEP; requisitou os números dos meus telefones, e todos, e com código de área e nomes das operadoras; pediu números e datas de expedição de documentos: identidade – com órgão expedidor -, CPF, título de eleitor - com zona e seção -, certificado de reservista – com Região Militar -, passaporte, carteira nacional de habilitação – com o tipo, data de expedição e prazo de validade -, Carteira de Trabalho e Previdência Social – com a série -, e quis saber o número da minha inscrição no PIS/PASEP e se já havia feito alguma retirada e, se positiva a resposta, com data e valor; fez perguntas sobre o meu grau de instrução, pedindo nome de escolas e os números e datas dos respectivos certificados de conclusão dos cursos e dos diplomas; mandou que eu listasse meus cartões de crédito com os respectivos limites e datas de pagamento e que lhe desse os números de minhas contas bancárias com bancos e agências; fez perguntas sobre minha vida sexual, indagando expressamente quantas vezes por semana eu fazia sexo e quantos orgasmos tinha a cada vez (ri tanto que nem consegui responder!), e ainda procurou saber sobre minhas taras (ela gostou de algumas e reprovou a grande maioria!); indagou sobre meus hobbies (na falta de uma boa resposta, uma que impressionasse e fosse politicamente correta, usei meu constitucional direito de ficar calado!); disse-me para mencionar minhas manias (logo no comecinho da narração, pediu-me que parasse!); e quis informação sobre os meus vícios, e, aqui, foi específica pois indagou se eu fumava (quantos cigarros por dia), se eu bebia (socialmente ou não, e nunca entendi o que isso significa!); etc. etc. etc.
Aí, disse-me que esperasse um pouco e fiquei ouvindo as aludidas musiquinhas.
Retornou dizendo o que todos os atendentes dizem e reperguntou tudo, mas, inverteu a ordem das perguntas para ver se eu me confudia, e quase me confundi, mas aleguei esclerose múltipla e abrangente e pedi ajuda aos universitários! e quase que eles me f...
Pediu-me que esperasse novamente.... e a musiquinha...
Voltou e declarou: “O senhor (por que será que, nem pelo telefone, nenhuma atendente mais me chama de você?!) tem 90...”
Nesse instante, aos berros, implorei que parasse!, pois tinha ficado tenso e precisava tomar minha pílula!
Ela – pela voz era bem novinha – mostrou todo o seu espanto: “Vai tomar o quê?!”; e expliquei-lhe que a pílula era avó do comprimido e bisavó da drágea; e ela respirou aliviada, e complementou: “Não precisa tomar a bisavó da drágea não porque são R$ 90 e alguns centavos”; e completou dizendo que, para receber a mencionada quantia, eu precisava fazer o seguinte: enviar cópia autenticada de todas as minhas carteiras, títulos, certificados e certidões, inclusive as de vacinas; apresentar atestado de sanidade física e mental firmado por 4 (quatro) médicos; enviar atestado de boa conduta assinado por 4 (quatro) autoridades nacionalmente reconhecidas; remeter resultado de teste psicotécnico recente e feito em instituição oficial; anexar duas fotos 9x12 com fundo branco e recentes; e, com firma reconhecida e duas testemunhas, mandar um requerimento em que devia declarar e pedir o seguinte: “...”.
Após um monumental silêncio, um segundo talvez, respondi: “Tá vendo?! Devia ter tomado a porra da pílula, não pela razão inicial, é claro, mas pela puta “emoção” que me invade agora!”
E desliguei.

0 Comments:
Postar um comentário
<< Home